VENICE SIMPLON ORIENT EXPRESS
A volta do glamour sobre trilhos
texto e fotos bruno marinho
Há viagens que nos levam a um destino, e há viagens que se tornam o destino. No universo do turismo de luxo, poucos nomes evocam tanto fascínio quanto o Venice Simplon-Orient-Express (VSOE), o lendário trem europeu que transformou a ideia de viajar em um ato de elegância, mistério e romance. Restaurado com esmero e operado pela Belmond, ele é hoje um ícone da hospitalidade mundial, revivendo o esplendor da era dourada dos trilhos, entre taças de cristal, poltronas de veludo e jantares que mais parecem obras de arte.
UM RETORNO À ERA DO GLAMOUR
Subir a bordo do VSOE é como entrar em um filme de época, mas com o conforto e o refinamento do século XXI. Seus vagões originais das décadas de 1920 e 1930 são verdadeiras joias art déco, restaurados à mão por artesãos europeus, que preservaram vitrais, painéis de madeira nobre, luminárias icônicas e detalhes que remetem aos tempos em que viajar de trem era o auge do luxo.
As cabines transformam-se em suítes íntimas à noite, arrumadas pelos mordomos que circulam silenciosamente pelos corredores atapetados. Do lado de fora, paisagens europeias se alternam como pinturas impressionistas vivas: Alpes nevados, campos verdejantes, vilarejos medievais.
O lançamento das Grand Suites — Paris, Veneza, Istambul, Praga, Viena e Budapeste — elevou ainda mais o status do trem. Com banheiros privativos, sala de estar, cama king-size e decoração inspirada em cada cidade, elas criam um universo particular sobre trilhos. Algumas noites nessas suítes ultrapassam os US$ 30 mil, valor que não assusta os viajantes mais exigentes, atraídos pela combinação de exclusividade e história que só o VSOE oferece.
Jantar no VSOE é um ritual. Os passageiros se vestem para a ocasião — trajes sociais são obrigatórios — e seguem para os vagões-restaurante, decorados como salões de baile miniaturizados. O chef francês Jean Imbert, estrela da culinária contemporânea, é responsável pelos menus sazonais que privilegiam ingredientes europeus fresquíssimos.
Suflês perfeitos, frutos do mar, carnes nobres e sobremesas elaboradas surgem em sequência impecável, acompanhados por uma carta de vinhos digna dos melhores restaurantes do continente. Tudo servido em talheres de prata e porcelanas finas que ecoam a herança aristocrática do trem.
As rotas mudam ao longo do ano, mas a mais célebre continua sendo a viagem Paris–Veneza, um clássico absoluto que atravessa montanhas, túneis e vales cinematográficos. Há também itinerários especiais, como as jornadas até Istambul, Londres, Budapeste e Viena, algumas operadas apenas uma vez por ano, reforçando o caráter exclusivo da experiência.
Cada parada revela uma Europa menos óbvia, mais poética, onde o ritmo lento permite observar detalhes que voos e rodovias fazem perder.
O viajante do Venice Simplon-Orient-Express não está apenas buscando conforto — ele procura uma história para viver. É alguém que valoriza artesanato, tradição, tempo desacelerado e memórias marcadas por pequenos rituais. Em um mundo acelerado, o VSOE oferece o oposto: uma pausa. Um suspiro. Um retorno à elegância perdida.
O Venice Simplon-Orient-Express não é apenas um trem; é uma viagem sensorial, estética e emocional. É a prova viva de que o luxo pode, e deve, carregar história, beleza e propósito. Para quem embarca, as paisagens ficam na memória, mas o que realmente marca é a sensação de ter vivido algo único, irreplicável, quase mágico.
Se existir uma definição perfeita de “glamour sobre trilhos”, ela continua passando noite adentro pelo coração da Europa, iluminada pelas luzes suaves do mais icônico trem de todos os tempos.





