TETIAROA
O legado sustentável de Marlon Brando na Polinésia Francesa
texto pimpa brauen | fotos pimpa brauen e divulgação
Isolado no Pacífico, a poucos minutos de Papeete, capital do Taiti, um pequeno atol envolto em tons de azul ainda preserva o silêncio e a beleza que definem a Polinésia Francesa. Protegido por recifes e águas cristalinas, o refúgio que já abrigou os antigos reis taitianos acolhe hoje o The Brando, um dos resorts mais admirados do mundo. A curta viagem sobre o oceano revela o cenário: uma lagoa ampla, motus – pequenas ilhas formadas sobre corais – e a quietude que dita o compasso do dia a dia. O voo panorâmico de 20 minutos parte de Papeete, e a paleta de azuis da lagoa anuncia o que está por vir.
A história de Tetiaroa com Marlon Brando começa em 1962, durante as filmagens de Mutiny on the Bounty. Foi ali que o ator conheceu Tarita Teriipaia, atriz taitiana que se tornaria sua esposa e mãe de dois de seus filhos. Encantado pela cultura polinésia e pela beleza do arquipélago, Brando adquiriu o atol em 1967 e passou décadas sonhando com um refúgio que unisse paisagem e conforto de forma responsável. Ao lado do hoteleiro Richard Bailey, transformou Tetiaroa em um modelo de hospitalidade consciente. Hoje, são 35 vilas e uma residência distribuídas entre coqueiros e areia branca, cada uma com piscina privativa, varanda e acesso direto ao mar. O projeto valoriza materiais locais, ventilação natural e a sensação de casa aberta para a brisa do Pacífico Sul, preservando a privacidade de quem busca tranquilidade.
O The Brando é referência em sustentabilidade e foi o primeiro resort do mundo a obter certificação LEED Platinum para todo o campus. O sistema SWAC (seawater air conditioning) utiliza água fria retirada das profundezas do oceano para refrigerar as instalações e reduzir o consumo energético. A matriz solar, com milhares de painéis, fornece grande parte da eletricidade; aquecedores naturais suprem a água quente, e o ciclo da água se fecha com dessalinização, reuso e compostagem. Em parceria com a Tetiaroa Society, o resort desenvolve soluções que unem ciência, tradição e turismo, inspirando projetos em todo o mundo.
A rotina segue o compasso do ambiente. Bicicletas convidam a explorar as trilhas sob as palmeiras; remadas de stand up paddle e canoas desvendam recortes da lagoa; caiaques e mergulhos revelam jardins de corais e peixes tropicais. As águas calmas abrigam tubarões-de-ponta-negra e tartarugas-verdes, e entre julho e outubro as baleias-jubarte se aproximam para acasalar. Em saídas conduzidas por naturalistas da Tetiaroa Society, cada curva do atol renova o encantamento. Dois passeios se destacam: o Tetiaroa Ultimate Tour, que percorre o anel de motus e apresenta praias protegidas, e o Green Tour, uma visita aos bastidores das soluções ambientais que sustentam a ilha.
A cultura polinésia se manifesta em gestos e tradições transmitidas de geração em geração. Oficinas de tingimento de pareô ensinam a técnica usada pelas mulheres taitianas para criar estampas com pigmentos naturais, enquanto o Hei Upo’o – Flower Crown Workshop apresenta a arte de tecer coroas de flores tropicais, símbolo de honra e beleza. Entre os workshops ministrados, o de coco explica a importância do fruto na vida cotidiana das ilhas e demonstra como abrir o coco, extrair a polpa e preparar o leite fresco usado na culinária local. Já o Coconut Palms Weaving Workshop ensina a transformar folhas de palmeira em chapéus, cestos e objetos decorativos, mantendo viva uma habilidade ancestral.
A dança ’Ori Tahiti, com seus movimentos ritmados e gestos precisos, conta histórias de deuses e heróis polinésios, enquanto a música com ukulele preenche o ar com alegria. Em visitas culturais, os guias apresentam o marae, os antigos templos de pedra usados para cerimônias religiosas e decisões políticas, essenciais para compreender a vida comunitária antes da colonização.
Em Tetiaroa, até a cozinha dá continuidade à história da ilha – feita de saberes, tempo e cuidado. A gastronomia leva a assinatura do chef francês Jean Imbert, detentor de uma estrela Michelin em Paris, que combina ingredientes da horta orgânica e de produtores certificados com técnica clássica. O fine dining Les Mutinés, em uma estrutura que lembra o casco invertido de um barco, é o palco principal. O circuito se completa com o Beachcomber Café, o intimista Nami Teppanyaki, o Bob’s Bar – memória viva da ilha – e o Te Manu Bar, elevado entre as copas das palmeiras para brindar o pôr do sol. Há ainda jantares privados em motus e serviço in-villa para momentos de recolhimento.




No Varua Te Ora Polynesian Spa, o corpo desacelera. Construído sobre um espelho-d’água e envolto por vegetação, oferece tratamentos baseados em práticas ancestrais taitianas. As salas iluminadas integram-se ao entorno, e terapias com óleos de coco seguem protocolos locais que equilibram energia e respiração. Cada gesto convida ao recolhimento e à entrega ao pulso da ilha.
Tetiaroa também é cenário de memórias célebres. Barack Obama passou uma temporada no atol escrevendo seu livro de memórias à sombra dos coqueiros. Beyoncé também buscou o destino para dias de privacidade e contemplação – pistas de uma hospitalidade cuja essência é a discrição.
Quando o sol se despede, o bar de praia se ilumina com tochas. O som do vento mistura-se à música polinésia, e a noite segue em calma. Em Tetiaroa, o luxo não está no excesso, mas na harmonia. The Brando prova que conforto e consciência podem ocupar o mesmo espaço – e que a verdadeira distinção é estar onde tempo e cultura ainda falam a mesma língua.
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