Rainha do Mar
A trajetória de Patrizia Zito entre oceanos, sonhos e destinos
por bruno marinho | imagens gabriel vilas-boas e álbum pessoal
Filha do mar, moldada pelas ondas e guiada por um destino que parece ter sido escrito em rotas marítimas, a empresária Patrizia Zito construiu uma vida na qual o oceano nunca foi apenas cenário, mas protagonista. Entre navios, portos internacionais e histórias que atravessam continentes, ela transformou sua paixão pelo mar em uma carreira sólida e inspiradora no universo marítimo internacional.
A conexão começou antes mesmo do seu nascimento. Filha de Yara, uma carioca apaixonada pelo mar, e de um jovem comissário de bordo italiano, Patrizia carrega no próprio DNA a influência das águas. Seus pais se conheceram em um navio de cruzeiro da clássica companhia Costa Cruzeiros, em uma história digna de cinema. Ela, uma herdeira carioca fascinante. Ele, um jovem italiano vindo de Tellaro, um pequeno e encantador vilarejo de pescadores na região da Ligúria, na Itália. O encontro foi imediato. “Foi amor à primeira vista”, como sua mãe sempre disse.
Patrizia nasceu no Rio de Janeiro, logo após a mãe desembarcar de uma viagem marítima. Mas foi em Tellaro que cresceu, cercada pela cultura náutica e pela rotina do mar. Ainda criança, já pilotava o tradicional gozzo, embarcação típica italiana de madeira. Desde pequena, acompanhava o pai em viagens de navio pelo mundo — e não foram poucas: ao lado dele, completou sete voltas ao mundo.
O oceano, que para muitos representa aventura, para Patrizia sempre significou pertencimento. Mais tarde, durante os estudos em economia marítima em Gênova, viveu uma virada decisiva. Incentivada, ou melhor, obrigada pelo pai, foi trabalhar durante um verão em Monte Carlo para a Costa Cruzeiros. A jovem, que preferia aproveitar as férias com os amigos, não imaginava que aquela imposição mudaria completamente sua trajetória.
“Na época, os pais decidiam tudo”, conta com humor. O que parecia um sacrifício acabou se tornando a melhor decisão de sua vida.
Encantada pelo universo sofisticado de Mônaco e pelas possibilidades que surgiam diante dela, Patrizia decidiu permanecer. A partir dali, construiu uma carreira internacional de destaque no setor marítimo e de cruzeiros de luxo, participando de projetos importantes globo afora. Entre eles, esteve envolvida na abertura do porto de Cuba para operações de cruzeiros, um marco significativo para o turismo marítimo internacional.
Mas o mar continuaria cruzando seu destino também na vida pessoal. Anos depois, conheceu o homem com quem construiria sua família: um engenheiro naval. Casados há três décadas, compartilham não apenas a vida, mas a mesma paixão pelos oceanos. O legado familiar seguiu tão forte que um dos filhos também escolheu a engenharia naval como profissão.
Nos últimos anos, Patrizia mergulhou em uma conexão ainda mais espiritual com o mar. Descobriu uma forte identificação com Iemanjá, entidade reverenciada como rainha das águas. Curiosamente, antes mesmo de compreender essa ligação, resgatou uma cachorrinha abandonada e a batizou justamente de Iemanjá, como se, de alguma forma, o mar continuasse enviando sinais.
Sua trajetória profissional ganhou novos capítulos com o lançamento, em 2019, da Swan Hellenic, companhia especializada em cruzeiros de expedição de luxo. O projeto levou Patrizia a destinos remotos e pouco explorados, como Socotra (ilha paradisíaca do Iêmen que a Revista Diverso teve o prazer de visitar na primeira expedição comandada por Patrizia), Congo e Guiné Equatorial, muitas vezes conduzindo os primeiros navios de cruzeiro a chegarem a esses locais.
As experiências internacionais também ampliaram sua visão sobre o mundo. Em países marcados pela pobreza, contrastando com a chegada de embarcações luxuosas, Patrizia passou a participar de ações beneficentes e projetos sociais — iniciativas que segue apoiando até hoje.
“Viajar não é apenas conhecer lugares novos, mas principalmente pessoas novas”, afirma. “Isso faz você refletir sobre muitas coisas e muda completamente sua maneira de enxergar a vida”, acrescenta.
A frase que costuma repetir resume perfeitamente sua filosofia: “Viajar é a única coisa em que você gasta dinheiro e, ao mesmo tempo, se torna mais rica”. Hoje, Patrizia Zito continua atuando no setor marítimo, colaborando com diferentes companhias internacionais e desenvolvendo novos projetos.
E, como toda boa história ligada ao mar, ela garante que ainda há novos horizontes a serem explorados. O próximo capítulo? Revista Diverso já está ansiosa para saber!













