Osho
O mestre da rebeldia espiritual que ainda provoca o mundo
por bruno marinho | imagens divulgação
Poucos líderes espirituais do século XX despertaram tanta admiração, polêmica e curiosidade quanto Osho, anteriormente conhecido como Bhagwan Shree Rajneesh. Filósofo, místico, crítico dos padrões sociais e defensor da meditação como caminho para uma vida plena, ele se tornou uma figura influente (e controversa) que continua a impactar milhões de pessoas pelo mundo.
Nesta reportagem especial, revisitamos sua trajetória, suas ideias transformadoras e o legado que ainda inspira pessoas que buscam autoconhecimento.
A JORNADA DE UM MESTRE NÃO CONVENCIONAL
Nascido em 1931, na Índia, Osho cresceu questionando tradições e crenças desde cedo. Formouse em filosofia e tornou-se professor universitário, mas logo abandonou a carreira acadêmica para se dedicar a palestras públicas que atraíam multidões.
Ao contrário de mestres tradicionais, Osho falava sobre espiritualidade com linguagem direta e, muitas vezes, provocadora. Não pedia seguidores, pedia indivíduos despertos, livres de condicionamentos.
Seu ensinamento se baseava na ideia de que o ser humano vive aprisionado a regras sociais, religiosas e psicológicas que o afastam da verdadeira liberdade. A solução, segundo ele, seria viver de forma consciente, presente e celebrativa.
MEDITAÇÃO PARA O MUNDO MODERNO
Um dos maiores legados de Osho são suas meditações ativas, práticas criadas especialmente para o homem contemporâneo, que vive sob estresse constante e dificuldade de silenciar a mente.
A mais famosa delas é a Meditação Dinâmica, que combina respiração intensa, catarse emocional, movimento e silêncio profundo. O objetivo é limpar bloqueios internos e permitir que o meditante acesse estados mais elevados de presença. Para Osho, meditar não era retirar-se para cavernas, era viver intensamente, consciente em meio ao caos diário.
O IMPÉRIO ESPIRITUAL E AS POLÊMICAS
Nos anos 1970, Osho fundou um grande ashram em Pune, na Índia, que rapidamente atraiu seguidores de todos os cantos do planeta, formando uma comunidade internacional vibrante. Em meados dos anos 1980, mudou-se para os Estados Unidos, onde seus discípulos construíram a cidade-comuna de Rajneeshpuram, no estado do Oregon.
A experiência, porém, foi marcada por uma série de escândalos envolvendo disputas políticas, acusações criminais contra membros da comunidade e tensões com moradores locais. Osho acabou sendo deportado dos EUA em 1985, retornando à Índia, onde viveu até sua morte, em 1990.
Apesar das polêmicas, estudiosos destacam que muitas acusações nunca foram totalmente esclarecidas, e parte delas envolveu disputas internas de poder entre seus próprios seguidores. Em suas últimas palestras, Osho voltou a enfatizar a importância da meditação e da liberdade individual acima de qualquer sistema organizado.
O LEGADO VIVO
Mesmo após décadas de sua morte, Osho continua a influenciar novas gerações. Seus livros — muitos derivados de transcrições de palestras — estão entre os mais vendidos do mundo no campo da espiritualidade. Entre seus temas mais populares, estão: amor e relacionamentos conscientes; meditação e presença; liberdade e autenticidade; crítica às religiões institucionalizadas.
Centros de meditação baseados em seu trabalho estão espalhados por diversos países, e suas práticas são usadas tanto por seguidores espirituais quanto por terapeutas e profissionais da saúde mental.
POR QUE OSHO AINDA NOS PROVOCA?
Osho uniu misticismo, psicologia, filosofia oriental e ocidental, crítica social e uma pitada de irreverência. Falava abertamente sobre sexo, poder, hipocrisia religiosa e a busca incessante por felicidade.
Ele incomodava porque convidava cada pessoa a assumir a responsabilidade pela própria consciência — algo que poucos líderes espirituais tinham coragem de defender tão frontalmente. Talvez seja exatamente por isso que, décadas depois, continue tão atual. Num mundo acelerado, cheio de certezas frágeis e identidades instáveis, sua mensagem de presença, liberdade e celebração da vida soa mais provocadora, e necessária, do que nunca






