Era Uma Casa
O lúdico como linguagem: a trajetória e o olhar autoral da designer Michele Luz que, com seu atelier, transforma imaginação, arte e natureza em peças de design reconhecidas dentro e fora do Brasil
texto bruno marinho | fotos divulgação
O que acontece quando o lúdico deixa de ser associado apenas à infância e passa a ser compreendido como uma linguagem universal da imaginação? A resposta pode ser encontrada no trabalho da designer Michele Luz, fundadora da Era Uma Casa, atelier brasileiro de design autoral que há mais de duas décadas investiga a relação entre arte, memória, natureza e sensibilidade por meio de objetos que desafiam classificações convencionais.
A história da marca começou antes mesmo de sua formalização. Atuando na área de interiores, Michele percebeu uma lacuna no mercado: enquanto salas, quartos e áreas sociais já incorporavam peças assinadas, arte e elementos de design com identidade própria, os ambientes ligados ao universo lúdico permaneciam limitados a soluções efêmeras e pouco autorais.
Foi dessa inquietação que surgiram as primeiras criações. Inicialmente concebidas para compor seus próprios projetos, as peças chamaram atenção por uma estética singular, que combinava delicadeza, refinamento e imaginação. O que começou como uma resposta criativa a uma ausência do mercado acabou se transformando em uma marca reconhecida pela linguagem poética e atemporal de suas coleções.



Ao longo dos anos, a Era Uma Casa expandiu seus horizontes. Embora tenha nascido em diálogo com espaços voltados ao universo infantil, sua produção ultrapassou qualquer delimitação etária. Hoje, o atelier desenvolve peças autorais, instalações artísticas e projetos especiais para residências, restaurantes, hotéis e ambientes comerciais, levando sua identidade visual para contextos diversos.
Para Michele Luz, o conceito de lúdico está distante de uma questão geracional. Em sua visão, trata-se de uma dimensão ligada à imaginação, à memória afetiva e à capacidade humana de construir significados por meio dos objetos e dos espaços.
“Mais do que criar peças decorativas, buscamos desenvolver objetos que despertem emoções e criem conexões”, resume a filosofia que orienta o trabalho da designer.
A NATUREZA COMO FONTE DE CRIAÇÃO
Grande parte do repertório criativo da Era Uma Casa nasce da observação da natureza. Folhas, galhos, pássaros, texturas orgânicas e formas imperfeitas servem como ponto de partida para peças que transitam entre design, escultura e arte.
Essa relação é fortalecida pela influência de Inhotim, em Minas Gerais, um dos maiores centros de arte contemporânea e botânica do mundo. O diálogo entre paisagem, arte e experiência sensorial presente no instituto ecoa nas criações do atelier, que frequentemente transforma elementos cotidianos em objetos carregados de simbolismo.
Produzidas em materiais nobres como latão maciço, ouro e prata, as peças assumem o caráter de pequenas joias para ambientes, combinando sofisticação técnica e delicadeza estética.
RECONHECIMENTO INTERNACIONAL
A singularidade da linguagem desenvolvida por Michele Luz também levou a Era Uma Casa a ultrapassar fronteiras. Atualmente, a marca atende clientes em diferentes regiões do mundo, incluindo Estados Unidos, Europa e Oriente Médio.
Entre os destinos de seus projetos, estão residências nos Hamptons e em Connecticut, além de trabalhos realizados para integrantes de famílias reais do Oriente Médio, incluindo a Arábia Saudita. Mais recentemente, o atelier iniciou um movimento de expansão e representação no mercado europeu, com foco em Madrid.




Ao longo de sua trajetória, a marca passou a atrair a atenção de personalidades dos universos da arquitetura, da moda, do esporte, do entretenimento e do lifestyle, consolidando sua presença em um segmento que valoriza exclusividade, autoria e identidade estética.
OBJETOS QUE CONTAM HISTÓRIAS
Mais do que acompanhar tendências, a Era Uma Casa construiu uma trajetória pautada pela permanência. Em um cenário marcado pelo consumo acelerado e pela constante renovação de estilos, Michele Luz aposta em peças capazes de atravessar o tempo, carregando significados que vão além da função decorativa.
Sua produção parte de uma convicção simples, mas poderosa: objetos podem despertar memórias, criar pertencimento e transformar espaços em experiências sensíveis. Nesse contexto, o lúdico deixa de ser um atributo da infância para se afirmar como uma expressão da imaginação humana — uma linguagem capaz de conectar arte, emoção e cotidiano.
Para saber mais, acesse @eraumacasa @micheleluz_designer





